O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Sala Oval da Casa Branca. Trump assinou nesta sexta-feira (16/10/2026) uma ordem executiva que revogou a maior parte das sanções à Rússia dois dias antes de entrarem em vigor. (Fonte: The White House)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na noite de sexta-feira (16 de outubro de 2026) uma ordem executiva que revoga a maior parte das disposições das sanções contra a Rússia — apenas dois dias antes de as regras entrarem em vigor. A decisão provocou duras condenações da Ucrânia e críticas de ambos os lados políticos em Washington.
Fatos Principais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026, uma ordem executiva que suspende (waive) a maior parte das disposições das sanções contra a Rússia — apenas dois dias antes de a regra entrar em vigor.
As regras de sanções passaram pelo Congresso dos EUA e foram sancionadas por Trump em setembro de 2026. A lei é conhecida como 'Lindsey Graham Act', nomeada em homenagem ao falecido senador republicano Lindsey Graham.
A lei visa a economia russa: concede ao presidente autoridade para impor tarifas de até 100 por cento sobre importações dos cinco maiores compradores de petróleo e gás russos — principalmente a China e a Índia — além de sanções contra figuras seniores russas, incluindo o Presidente Vladimir Putin, instituições financeiras russas e navios da 'frota sombra' (shadow fleet) russa.
Em sua ordem executiva, Trump declarou que a suspensão é 'em prol do interesse nacional dos Estados Unidos'. A lei permite que o presidente suspenda as sanções com uma certificação por escrito ao Congresso, e Trump afirmou ter enviado essa certificação sem detalhar os motivos.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a decisão como "muito lamentável" e afirmou que os EUA "ignoraram completamente" o Lindsey Graham Act. Ele disse que a lei poderia pressionar a Rússia a acabar com a guerra, justamente quando a Rússia lança um de seus maiores ataques à infraestrutura energética da Ucrânia.
A Rússia atacou na noite passada 15 instalações energéticas da Ucrânia e provocou apagões em várias regiões; Zelensky afirmou que a Rússia "tenta criar um blackout na Ucrânia antes do inverno". Ele também publicou fotos ao lado de Graham com a mensagem "Thank you for everything Lindsey!".
Críticas vieram de ambos os lados: a senadora Darline Graham — irmã do falecido Lindsey Graham e aliada de Trump — manifestou sua discordância; o deputado democrata Don Beyer (Virgínia) acusou Trump de "render-se a Moscou" e virar as costas à Ucrânia.
As relações entre Washington e Kyiv azedaram esta semana depois que os EUA fecharam um acordo controverso para importar diesel russo com o objetivo de conter os preços da energia às vésperas das eleições de meio de mandato. A Ucrânia, em seguida, acusou o governo Trump de retirar apoio militar crucial.
Trump chamou Zelensky de 'mais difícil de lidar' do que Putin; Zelensky respondeu na cúpula da União Europeia que estava feliz por estar entre 'líderes verdadeiros'. A Casa Branca também pressionou a Ucrânia a parar os ataques às refinarias de petróleo russas por causa do preço do petróleo, mas Kyiv voltou a atacar depois de ter adiado.
O enviado russo Kirill Dmitriev chamou a suspensão de "momento importante e verdadeiramente histórico" e afirmou que as sanções prejudicariam principalmente os EUA e o mercado global. Em meio à tensão, negociadores dos EUA e da Ucrânia conversaram na sexta-feira e podem se encontrar na próxima semana.
Sanções anuladas dois dias antes de entrarem em vigor
Condenação de Zelensky e críticas bipartidárias
Contexto do deterioramento das relações entre EUA e Ucrânia
Rússia recebe bem, negociadores podem se reunir na próxima semana
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