Etiópia Alcança Zalambessa na Fronteira com a Eritreia

Forças do governo da Etiópia avançaram nesta terça-feira (13/10/2026) sobre a cidade de Zalambessa, na fronteira com a Eritreia, segundo seis fontes informadas por moradores locais. A cidade, de cerca de 15.000 habitantes, estava anteriormente sob controle dos rebeldes de Tigray.

Zalambessa fica do lado etíope, perto do ponto mais ao norte da fronteira com a Eritreia. Segundo a Reuters, as fontes citadas incluem quatro pessoas ligadas aos moradores da cidade, um diplomata e um especialista em conflitos com ligações às partes em guerra. Entretanto, o porta-voz da milícia pró-governo não confirmou que os militares tenham tomado a cidade.

O porta-voz militar da Etiópia e o gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O avanço das tropas federais faz parte da contra-ofensiva do governo que expulsou os rebeldes de uma série de cidades, forçando-os a recuar em direção ao norte.

Etiópia Entra em Zalambessa, Fronteira com a Eritreia Aquece
Ilustração de tropas da Eritreia em formação de parada militar. (Fonte: diplomat.so)

Disputa sobre Alegações de Travessia da Fronteira por Eritreia

Testemunhas oculares e monitores de conflitos afirmaram que forças eritreias atravessaram para Zalambessa na semana passada para apoiar os rebeldes, mas ainda não está claro se tanto as tropas eritreias quanto os rebeldes permaneciam na cidade nesta terça-feira. Asmara nega as acusações de invasão.

A Eritreia também pediu às Nações Unidas (ONU) que tomem medidas dissuasoras contra a Etiópia. O governo de Asmara considera que as acusações de Addis Abeba sobre uma invasão de tropas eritreias equivalem a uma "declaration of war" ou declaração de guerra.

Por outro lado, a Etiópia acusou a Eritreia de apoiar rebeldes e escreveu uma carta aos membros do Conselho de Segurança da ONU. Na carta, Addis Abeba afirma que as forças eritreias avançaram até 60 quilómetros (37 milhas) para dentro do território etíope.

Carta de Concorrência ao Conselho de Segurança da ONU

A tensão também esquentou na via diplomática. O ministro das Relações Exteriores da Eritreia, Osman Saleh, enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU obtida pela Reuters, pedindo que o conselho tome medidas contra Addis Abeba invocando o Capítulo VII da Carta da ONU — artigo que permite desde sanções até ação militar.

Na terça-feira, os membros do Conselho de Segurança estão programados para realizar uma reunião a portas fechadas para discutir a situação no Chifre da África, segundo a presidência do Conselho de Segurança, ocupada pela Grécia. Diplomatas estariam correndo para evitar uma guerra entre dois países vizinhos no Chifre da África.

A questão do acesso ao mar também corrói as relações entre os dois países. A Etiópia teve acesso à costa durante décadas até a Eritreia conquistar a independência de Addis Abeba em 1993. A Etiópia considera a restauração do acesso ao mar uma questão existencial, mas afirma que isso será alcançado por meio da paz e do diálogo.

Ofensiva da TPLF Reacende a Guerra de Tigray

Os combates eclodiram no mês passado quando uma aliança rebelde liderada pela Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) lançou uma ofensiva, reacendendo a guerra que matou centenas de milhares de pessoas entre 2020 e 2022. Com Addis Abeba e Asmara agora novamente em lados opostos, há temores de que a violência se espalhe de forma mais ampla desta vez.

Os dois países estiveram envolvidos num conflito durante anos, até que fizeram as pazes em 2018. A Eritreia chegou a lutar ao lado do governo federal da Etiópia na guerra civil no Tigray, em 2020-2022, mas as relações entre os dois voltaram a deteriorar-se desde então.

Preocupações com a escalada regional

A situação em Zalambessa tornou-se um teste crucial para os esforços de paz no Chifre da África. O conflito também arde em outras áreas da região, enquanto a tensão é alta do outro lado do Mar Vermelho — uma combinação que alimenta temores de contágio mais amplo da violência.

A evolução no terreno será acompanhada de perto pela comunidade internacional, incluindo o resultado da reunião à porta fechada do Conselho de Segurança da ONU realizada nesta terça-feira.