Marcha Selvagem e Gás Lacrimogêneo em Paris
PARIS — A capital francesa transformou-se num palco de confrontos neste sábado (17/10/2026), quando uma manifestação nacional atingiu o seu auge. Multidões que realizavam cortèges sauvages (marchas selvagens) entraram em choque com as forças de segurança em vários pontos, e a polícia disparou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão. Até ao meio-dia, cerca de 100 pessoas tinham sido detidas em Paris.
A desordem não ocorreu apenas em Paris. Em Marselha, uma delegacia de polícia foi atacada pela multidão, enquanto em outras cidades como Lyon e Rennes foram relatados incidentes semelhantes. Multidões de coletes amarelos também montaram bloqueios de filtragem em várias vias. Para se antecipar, a prefeitura de polícia fechou 25 estações de metrô e RER desde as 08h00 da manhã.
Esses dados ainda são preliminares e podem evoluir ao longo de ações que seguem em curso até a tarde.
PM Lecornu ativa célula de crise
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu respondeu ativando a célula de crise interministerial (CIC) ao nível de diretores de gabinete, sinalizando que o governo encara a situação atual como uma crise nacional. Lecornu havia classificado anteriormente esta série de protestos como uma das mais brutais em décadas — mais de 900 policiais teriam ficado feridos desde o início dos protestos, e as táticas das forças de segurança também atraíram críticas após um adolescente perder a mão devido a uma granada de choque.
A ação desta quinta-feira reuniu grupos que normalmente caminham separados: estudantes do ensino médio, universitários, sindicatos e o que resta do movimento dos coletes amarelos. Eles exigem preços acessíveis para itens de primeira necessidade, combustível que não fique cada vez mais caro e serviços públicos decentes. O movimento começou no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres do norte de Paris e se transformou em um movimento nacional contra a desigualdade.
O governo culpa o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI) por supostamente provocar as multidões — acusação que a LFI nega. Enquanto isso, o líder da oposição de direita Jordan Bardella prevê que hoje será um “dia de caos para a França”.






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